Blog do CLE Missionários da Luz (o primeiro Clube do Livro Espírita de Olinda- PE), que tem como objetivo reunir os atuais associados, conquistar novos amigos e divulgar a Doutrina Espírita, praticando um dos belos conselhos do Espírito Emmanuel: "A maior caridade que praticamos, em relação à Doutrina Espírita, é a sua própria divulgação."Sejam todos bem vindos ao nosso Blog!Conheça,divulgue, compartilhe conosco este espaço que é de todos nós!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Uma Tomada de Consciência


O apego ao contingente, ao imediato, apaga na consciência dos nossos dias o senso da responsabilidade espiritual. 
Nem mesmo a ronda constante da morte consegue arrancar o homem atual da embriaguez do presente. O problema do espírito e da imortalidade só se aviva quando ligado diretamente a questões de interesse pessoal. O católico, o protestante, o espírita se equivalem nesse sentido. Todos buscam os caminhos do espírito para a solução de questões imediatistas ou para garantirem a si mesmos uma situação melhor depois da morte.


A maioria absoluta dos espiritualistas está sempre disposta a investir (este é o termo exato) em obras assistenciais, mas revela o maior desinteresse pelas obras culturais. Apegam-se os religiosos de todos os matizes à tábua de salvação da caridade material, aplicando grandes doações em hospitais, orfanatos e creches, mas esquecendo-se dos interesses básicos da cultura. Garantem os juros da caridade no após-morte, mas contraem pesadas dívidas no tocante à divulgação, sustentação e defesa de princípios fundamentais da renovação da cultura planetária.


A imprensa, a literatura, o ensaio, o estudo, a fixação das linhas mestras da nova cultura terrena ficam ao deus-dará. Falta uma tomada de consciência, particularmente no meio espírita, da responsabilidade de todos na construção e na elaboração da Nova Era, que é trabalho dos homens na Terra. Ninguém ou quase ninguém compreende que sem uma estruturação cultural elevada, sem estudos aprofundados no plano cultural, que revelem as novas dimensões do mundo e do homem na perspectiva espírita, o espiritismo não passará de uma seita religiosa de fundo egoísta, buscando a salvação pessoal de seus adeptos, precisamente aquilo que Kardec lutou para evitar.


A finalidade do espiritismo, como Kardec acentuou, não é a salvação individual, mas a transformação total do mundo, num vasto processo de redenção coletiva. Proporcionar aos jovens uma formação cultural apoiada na mais positiva e completa base espiritual, que mostre a insensatez das concepções materialistas e pragmatistas, dando-lhes a firmeza necessária na sustentação e defesa dos princípios doutrinários, não é só caridade, mas também realização efetiva dos objetivos superiores do espiritismo nesta fase de transição. Sem esse trabalho não poderemos avançar com segurança e eficácia na direção da Era do Espírito. Temos de dar às novas gerações a possibilidade de afirmarem, diante do desenvolvimento das ciências e do avanço geral da cultura, como disse Denis Bradley: “Eu não creio, eu sei!” Porque é pelo saber, e não pela crença, pela fé racional e não pela fé cega, pelo conhecimento e não pelas teorias indemonstráveis, que o espiritismo, como revelação espiritual, terá de modelar a nova realidade terrena, apoiado na confirmação científica, pela pesquisa, dos seus postulados fundamentais. A revelação humana confirma e comprova a revelação divina.


Esse é o problema que ninguém parece compreender. Todos sonham com o momento em que a ciência deverá proclamar a realidade do espírito. Mas essa proclamação jamais será feita, se a ciência espírita não atingir a maioridade, não se confirmar por si mesma, podendo enfrentar virilmente, no plano da inteligência e da cultura, a visão materialista do mundo e a concepção materialista do homem. Por isso precisamos de universidades espíritas, de institutos de cultura espírita dotados de recursos para uma produção cultural digna de respeito, de laboratórios de pesquisa psíquica estruturados com aparelhagem eficiente e orientados por metodologia segura, planejada e testada por especialistas de verdade, capazes de dominar o seu campo de trabalho e de enfrentar com provas irrefutáveis os sofismas dos negadores sistemáticos. É uma batalha que se trava, o bom combate de que falava o apóstolo Paulo, agora desenvolvido com todos os recursos da tecnologia.


Chega de pieguice religiosa, de palestras sem fim sobre a fraternidade impossível no meio de lobos vestidos de ovelhas. Chega de caridade interesseira, de imprensa condicionada à crença simplória, de falações emotivas que não passam de formas de chantagem emocional. Precisamos da Religião viril que remodela o homem e o mundo na base da verdade comprovada. Da caridade real que não se traduz em esmolas, mas na efetivação da fraternidade humana oriunda do conhecimento de nossa constituição orgânica e espiritual comuns, ou seja, da inelutável igualdade humana. De exposições sábias e profundas dos problemas do espírito, nascidas da reflexão madura e do estudo metódico e profundo. Temos de acordar os dorminhocos da preguiça mental e convocar a todos para as trincheiras da guerra incruenta da sabedoria contra a ignorância, da realidade contra a ilusão, da verdade contra a mentira. Sem essa revolução em nossos processos não chegaremos ao mundo melhor que já está batendo, impaciente, às nossas portas.


Não façamos do espiritismo uma ciência de gigantes em mãos de pigmeus. Ele nos oferece uma concepção realista do mundo e uma visão viril do homem. Arquivemos para sempre as pregações de sacristão, os cursinhos de miniaturas de anjos, à semelhança das miniaturas japonesas de árvores. Enfrentemos os problemas doutrinários na perspectiva exata da liberdade e da responsabilidade de seres imortais. Reconheçamos a fragilidade humana, mas não nos esqueçamos da força e do poder do espírito encerrado no corpo. Não encaremos a vida cobertos de cinzas medievais. Não façamos da existência um muro de lamentações. Somos artesãos, artistas, operários, construtores do mundo e temos de construí-lo segundo o modelo dos mundos superiores que explendem nas constelações.


Estudemos a doutrina aprofundando-lhe os princípios. Remontemos o nosso pensamento às lições viris do Cristo, restabelecendo na Terra as dimensões perdidas do seu Evangelho. Essa é a nossa tarefa.



José Herculano Pires

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Males Menores


Maldade é sempre treva no coração, que nos cabe evitar a benefício dos outros e em favor de nós mesmos.
Entretanto, nos chamados males da Terra, é indispensável discernir as lições do Senhor nos mínimos ângulos de cada dia, para que lhes percebamos a valiosa função na garantia do bem.
Observemos a natureza.
Quase sempre, a plantação é amparada pelos detritos do campo para atingir a produção desejável.
Para que o leito do rio se não desfaça, atendendo aos requisitos do charco, a dureza da pedra e a secura da areia lhe defendem a segurança.
O minério anônimo, para entrar no campo das formas, não prescinde do fogo que lhe plasma as figurações.
E o próprio pão que regala à mesa é sempre um fruto da bondade da vida, filtrado através de dilacerações incontáveis.
Aprendamos a receber os males menores que nos asseguram paz e triunfo sobre os grandes males do mundo.
Rara porcentagem das súplicas que sobem da Terra ao Céu recolhe, de retorno, a assistência precisa, na forma imediatista de alegria ou de reconforto.
Quase todas, para alcançar o objetivo a que se propõem, obtêm do Senhor os males menores por resposta providencial e oportuna.
Aqui, é uma enfermidade-socorro que te preserva o espírito contra o assalto das tentações.
Ali, é um obstáculo-benção que te impede a adesão à irresponsabilidade e à loucura.
Além, é um amor-ferramenta que te obriga ao sacrifício constante, na sublimação de ti mesmo.
Acolá, é um desencanto-auxílio, constrangendo-te ao reajuste da própria alma.
Adiante, é uma dificuldade-luz, impelindo-te à comunhão com as esferas superiores.
Abençoemos as pequenas aflições e os humildes tropeços da estrada, de vez que a luta bem vivida e o trabalho bem realizado constituem os únicos recursos de ascensão ao verdadeiro bem.
Muitas almas com os bens aparentes do mundo compram apenas desilusão e tragédia, amargura e arrependimento, enquanto que muitas outras se elevam diariamente da vida física às culminâncias da Luz, conduzidas pelos supostos males que lhes minavam a passageira existência.
Recordemos a cruz de Cristo...
Quando se ergueu, diante dos homens, era humilhação e derrota, mas, aceita com amor e renúncia, converteu-se em caminho de paz e ressurreição.





Pelo Espírito Emmanuel. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Livro Cura. Lição nº 05. Página 21.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

O Homossexual na Casa Espírita


Como espíritas que somos e esclarecidos pelos ensinamentos da doutrina, precisamos desenvolver uma postura de tolerância e compreensão para acolher, sem preconceitos, todos os espíritos que nos cercam e que buscam a casa espírita. 
O amor de Deus é plenamente destinado a todos, sem exceções. Características do corpo físico, esse invólucro transitório do espírito em ...vida terrena, não podem definir este espírito nem devem contribuir para gerar sentimentos de rejeição ou repulsa em nossos corações.
Todos aqui estamos nesse mundo de expiação e provas e, para aqui poder atuar, assumimos corpos físicos que tornam possível a vida na Terra. Mas este corpo é, e será sempre, a despeito dos avanços da Medicina, um corpo perecível. Portanto, é no espírito imortal que habita ali, criação amorosa de Deus e que carrega Sua luz, que devemos concentrar nossa atenção e a ele dedicar o nosso amor. Na ótica da Caridade Cristã, não só devemos acolher esses espíritos, cada um revestido de sua própria individualidade, mas também procurar chegar até eles, encurtando o caminho que nos separa.
A Doutrina Espírita nos ensina que todos nós temos um passado que explica e justifica situações de nossa vida presente. Do mesmo modo que Deus acolhe amorosa e indistintamente todos os seus filhos, assim devemos proceder com nossos irmãos. Aprendemos também que o espírito possui uma bipolaridade em termos sexuais, podendo encarnar sucessivas vezes ora como Homem, ora como Mulher. No estudo do desenvolvimento dos embriões, a ciência já nos mostra que todo embrião tem as duas potencialidades, feminina e masculina, que só se define após algumas semanas do desenvolvimento fetal. O que nos define como Homem ou Mulher? É a contribuição do pai, através de seu espermatozóide, que determina o sexo do futuro bebê. Essa conformação genética é solicitada pelo próprio espírito, esclarecido a respeito de suas necessidades para aquela encarnação. Para isso, contribuem os espíritos superiores que se encarregam de ajudar e apoiar esse ser que vem a renascer. Segundo a história de cada um e suas necessidades, será definida sua feição humana. Todos encarnamos melhores, mais evoluídos do que já fomos, para prosseguir em nossa caminhada.Todavia, esse corpo físico manifesta exigências carnais e a atividade sexual é uma delas. 
Precisamos buscar, através do raciocínio e da conscientização e da procura constante de nossa essência espiritual, a compreensão dos processos dolorosos pelos quais passamos na vida para tirar dessas experiências o aprendizado necessário à busca da perfeição e da felicidade, do bem-estar pleno para o qual Deus nos criou. O mundo atual nos desafia a enfrentar, com coragem e sem hipocrisia, as novas relações interpessoais que ocorrem em todos os espaços onde transitamos. Hoje sabemos, a ciência nos afirma, que a relação homossexual, feminina ou masculina, é perfeitamente possível tanto do ponto de vista físico (obtenção do prazer sexual) como do psíquico (afetividade, harmonia, companheirismo, etc.). A OMS, que já catalogou a HOMOSSEXUALIDADE como doença, hoje já não considera assim. Por isso, o termo “homossexualismo” não deve mais ser usado, já que o sufixo “ismo” caracteriza “doença”. Devemos nos referir à Homossexualidade, que designa um estado do ser, uma condição do indivíduo. Quanto à auto-estima, as pessoas podem ser: Egossintônicas – aceitam-se como são; ou Egodistônicas – rejeitam sua própria condição, não estando em sintonia consigo mesmas. Desta condição egóica depende a qualidade das relações afetivas que construirão, tanto heteros como homossexuais. Os distúrbios afetivos e psíquicos, que exigem tratamentos específicos para reequilibrar o indivíduo desajustado quanto às normas sociais, derivam desta condição interna do sujeito e que, na visão espírita, sabemos resultar de vidas anteriores.
Quando as pessoas se reconhecem com tendências homossexuais, esse processo costuma vir carregado de muita confusão, sofrimento e, principalmente, de culpa. Daí a necessidade do acolhimento e da orientação adequada para que a pessoa seja esclarecida pela palavra de Jesus. Só assim ela terá a possibilidade de se equilibrar para viver de forma digna as provações que precisará enfrentar.
A condição sexual não garante a dignidade do indivíduo, mas sim a forma como ele exerce a sua sexualidade. Muitos heterossexuais se comportam de modo totalmente indigno, usando o outro de forma egoísta, visando seu próprio prazer sem respeito a si mesmo nem aos sentimentos do outro. Estes também precisam ser esclarecidos para evitarem os males que resultam de tais condutas. Indiferente de sua condição sexual, todos devem se comportar, se vestir e se comunicar de forma adequada a cada situação. O Atendimento Fraterno é a porta aberta na Casa Espírita para o acolhimento dos espíritos que nos procuram, independente de sua condição ou aparência. Não há espaço aí para indiscrição nem para rejeição ou pré-julgamentos. Não importa o que ele é, mas sim o que ele poderá vir a ser, na medida em que for se esclarecendo. Essa necessidade é igual para todos os espíritos que sofrem e buscam superar pelo Bem suas necessária provações. Muitos homens têm características femininas em sua aparência ou em sua conduta (são mais suaves, mais sensíveis, mais frágeis), mas não são menos masculinos por causa disso. São experiências anteriores, ricas e proveitosas, vividas na condição feminina em encarnações passadas, que os fazem constituírem-se assim. O mesmo ocorre com mulheres que apresentam posturas tidas socialmente como masculinas sem que sejam menos femininas em sua constituição física ou psíquica. Conforme essas características, as pessoas se atraem e os casais se formam e funcionam de forma harmoniosa, encontrando na relação conjugal a completude, o companheirismo que os ajuda e os fortalece na trajetória terrena. Os desvios sexuais estão relacionados a uma indefinição ou confusão interna que podem afetar seu espírito e, conseqüentemente, atingem seu corpo físico e seu psiquismo. Controle, educação e disciplina são condições básicas para vivenciar a sexualidade de forma adequada. A união de um casal deve ser pautada no Amor e na prática do Bem; ter ou não ter filhos não deve ser uma obrigação inerente ao casamento.
Na casa espírita, qualquer trabalhador, em qualquer função que exerça, pode estar em qualquer condição sexual desde que se comporte e conduza suas ações de modo adequado, dentro e fora da casa. Além disso, precisa ter conhecimento da doutrina e uma fé consistente que dêem suporte a seu trabalho. A homossexualidade não é uma opção da pessoa nem é provocada por condições familiares, relação parental etc., posto sabermos que na maioria das vezes está definida antes de seu nascimento. Portanto, as pessoas são responsáveis pelo modo como decidem exercer sua sexualidade. A sexualidade não é uma escolha, mas o ato sexual é. Há indivíduos ditos fronteiriços quanto a sua definição sexual devido a conflitos e situações pretéritas. Nestes ocorre um momento onde ele decide por um lado ou por outro e, dependendo do seu grau de esclarecimento, pode fazer uma escolha indevida, problemática para sua vida. Quando percebemos esses sinais em nossas crianças, é nosso compromisso cristão para com elas que as aceitemos com respeito e carinho e as eduquemos segundo os princípios da nossa fé: os critérios evangélicos de ética, de moral e de caridade. Assim estaremos educando aqueles espíritos para que se tornem pessoas de Bem. O trabalhador espírita que ainda não se libertou das amarras do preconceito deve se abster do Atendimento Fraterno dirigido a pessoas cujas características possam lhe provocar sentimentos de desconforto. Tenhamos sempre em mente que a Doutrina Espírita acolhe e compreende, mas não é conivente com condutas que destoam da moral cristã.
Quando o exercício da sexualidade traz angústia e sofrimento ao indivíduo, seja qual for sua condição sexual, é aconselhável que ele se proponha a um período de abstinência sexual, durante o qual buscará estudar e refletir melhor sobre si mesmo, esclarecer-se sobre seu papel no mundo para então escolher um modo de vida que faça dele um membro ajustado e útil à sociedade. Não esquecer, todavia, que essa abstinência deve ser assumida espontaneamente e nunca imposta por outros, o que quase sempre acaba resultando em desvios sexuais. 
Na avaliação dessas situações que ora nos apresentam, como a união civil de homossexuais, devemos sempre usar o bom senso e uma postura tolerante e amorosa para agirmos de forma justa. Reconhecer os direitos legais de um casal homossexual é uma questão de justiça e respeito pelas pessoas, apenas legitima o que já existe e não se constitui um estímulo para “gerar” homossexuais. Na orientação dos indivíduos homossexuais, devemos alertá-los de que são alvos fáceis para a ação perniciosa de outros espíritos que tentarão utilizá-los para satisfazer suas necessidades sexuais, causando grandes perturbações.
Todos os espíritos devem encarnar várias vezes como homem e como mulher para vivenciarem as experiências específicas de cada papel sexual, enriquecendo assim sua caminhada espiritual.Homens e mulheres que vivem de forma promíscua sua sexualidade, sendo permanentemente sedutoras e explorando o outro sexualmente, podem no futuro encarnar como homossexuais como provação para elaborar essa questão.
Não há motivos contrários à adoção de crianças por casais homossexuais visto que já sabemos que essa condição não depende de influência parental direta. Se o casal que se dispõe a adotar tem condições de oferecer às crianças a proteção, o carinho e a educação que elas precisam para crescer saudáveis, nada os desclassifica para serem pais.
Finalmente, lembremos sempre que a homossexualidade não é uma condição permanente, é um estado transitório. Os indivíduos não são homossexuais e, sim, estão homossexuais. E somos todos, antes de tudo, filhos muito amados de Deus.

Dr. Augusto Fernando Haanwinkel - http://www.bezerramenezes.org.br/


quarta-feira, 6 de junho de 2012

Os Deveres do Espírita



Todo aquele que aceita a Doutrina Espírita assume o grave compromisso de Solidariedade, irmã gêmea da Responsabilidade. Elas andam sempre juntas.

O espírita verdadeiro não tem o direito de desconhecer os princípios básicos da Doutrina, porque, se não os conhece, não pode considerar­-se propriamente um espírita.

É tão grande a responsabilidade do espírita que ele não pode desvencilhar-se da responsabilidade que, mais do que antes, decorre dos seus atos e palavras. Quem está integrado na Dou­trina e sabe respeitá-la, transforma-se numa força atuante, positiva, no ambiente em que viva. Não é passivo nem dissimulado, não é indiferente nem apático. Pelo contrário, a sua integração nos postulados doutrinários confere-lhe a faculdade de se mostrar sempre ativo e franco, honesto e positivo, bem humorado e discreto. Todavia, a sua franqueza hão deve ser rude, contundente e negativa. Para ser útil, precisa mostrar-se amena, educativa e construtiva.

Há mil maneiras de se dizer e demonstrar o que nos vai na alma. Entre essas maneiras, há a que nunca se separa da compreensão, da tolerância, do comedimento, da sinceridade e, sobre­tudo da verdade simples.

O espírita tem o dever de policiar mais os seus atos e palavras do que os alheios, sem que isto importe em estimular, pela omissão ou tibieza, a má ação de que tenha conhecimento. Queremos dizer: se enérgico em profligar o que não lhe parece bem, quando feito por seus semelhantes, bem mais enérgico quando analisar os próprios atos e palavras.

Nunca o “conhece-te a ti mesmo” foi mais necessário do que em nossos dias. O espírita, antes de pensar reformar os outros, deve começar a reformar-se a si mesmo.

O exemplo é que define a legitima personalidade da criatura humana.

A Doutrina Espírita é um roteiro de auto-educação. Seu primacial objetiva é tornar cada

um de nós melhor, mais .humano, mais compreensivo, mais cristão. O mundo está cheio de cristãos sem Cristo, isto é, de criaturas que se intitulam cristãs quando não o são, porquanto não procedem consoante as lições do Mestre.

A Doutrina codificada por Allan Kardec educa, reforma, eleva, redime. Tudo, porém, depende de nós. Jesus veio dar-nos ensinamentos e exemplos para que saibamos buscar a salvação pelo nosso próprio esforço. Esta é a verdade. A sua missão na Terra foi grandiosa, sublime, incomparável. Desvirtuaram-na, deixaram-na ficar na superfície da pele, quando ela deveria alojar-se no coração humano.

A Doutrina Espírita está restabelecendo, a pouco e pouco, o domínio da idéia cristã na vida do homem, ensinando-o a compreender a razão da existência terrena, a necessidade retificadora da dor, o mapa cármico e sua ligação com e problema da reencarnação.

A solidariedade sadia é fraternidade cristã. “O Espiritismo amplia a noção de fraternidade. Demonstra por meio de fatos que ela não é unicamente um mero conceito, mas uma lei funda­mental da Natureza, lei cuja ação se exerce em todos os planos da evolução humana, assim no ponto de vista físico como no espiritual, no visível como no invisível. Por sua origem, pelos destinos que lhes são traçados, todas as almas são irmãs. Assim, essa fraternidade, que os messias proclamaram em todas as grandes épocas da História, encontra no ensino dos Espíritos uma base nova e uma sanção. Não é mais a inerte e banal afirmação na fachada dos nossos monumentos, é a fraternidade palpitante das al­mas que emergem, conjuntas, das obscuridades do abismo, e palmilham o calvário das existências dolorosas; é a iniciação comum no sofri­mento; é a reunião final na plena luz.” (Léon Denis.)

Solidariedade e responsabilidade são elos de uma mesma corrente. A vida nos mostra a todos os instantes que o auxílio mútuo se afirma eloqüentemente como força de coesão da existência moral. Essa é também uma imposição biológica a que ninguém escapa, nem, os mais fracos nem os mais fortes.

Todos somos como que elementos moleculares da vida de relação, na vida social, na vida espiritual. Isto esclarece a razão das pequenas e grandes coletividades, quer entre os chamados irracionais, quer entre os ditos racionais.

O instinto desempenha papel preponderante na aglutinação do seres. Mas só a educação facilita, com acerto, o disciplinamento do instinto. Ela refina o sentimento e prepara o homem para uma vida progressivamente mais compreensiva e melhor. Todavia, não podemos eximir-nos às conseqüências da Lei de Causa e Efeito, que é a bússola do Carma. Do nosso comportamento, em face dessa lei, depende a felicidade que ambicionamos.

O Espiritismo educa o homem para uma vida mais simples e sadia. O Espiritismo respeita a personalidade humana, porque lhe reconhece o livre-arbítrio, acatando-o. Nada impõe, nada exige, nada reclama. Mostra o roteiro e ensina como se pode segui-lo.

Eminentemente democrática, a Doutrina Espírita envolve toda a Humanidade, mas são os humildes e sofredores que nela encontram mais depressa o bálsamo para as suas dúvidas e aflições. Respeitando a liberdade da pessoa humana o Espiritismo afirma a necessidade de deixar ao homem, depois de esclarecido, a decisão dos rumos que desejar tomar, convencido, como diz Kardec, que, “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas a épocas da Humanidade”.

Com a Doutrina Espírita, o homem se torna senhor do seu destino.

Indalício Mendes

(Reformador de maio de 1964)

terça-feira, 5 de junho de 2012

O Suicídio e a Loucura


14. A calma e a resignação adquiridas na maneira de encarar a vida terrena, e a fé no futuro, dão ao Espírito uma serenidade que é o melhor preservativo da loucura e do suicídio. 

Com efeito, a maior parte dos casos de loucura são provocados pelas vicissitudes que o homem não tem forças de suportar. 


Se, portanto, graças à maneira porque o Espiritismo o faz encarar as coisas mundanas, ele recebe com indiferença, e até mesmo com alegria, os revezes e as decepções que em outras circunstâncias o levariam ao desespero, é evidente que essa força, que o eleva acima dos acontecimentos, preserva a sua razão dos abalos que o poderiam perturbar. 

15. O mesmo se dá com o suicídio.

Se excetuarmos os que se verificam por força da embriaguez e da loucura, e que podemos chamar de inconscientes, é certo que, sejam quais forem os motivos particulares, a causa geral é sempre o descontentamento. 


Ora, aquele que está certo de ser infeliz apenas um dia, e de se encontrar melhor nos dias seguintes, facilmente adquire paciência. 


Ele só se desespera se não ver um termo para os seus sofrimentos. 


E o que é a vida humana, em relação à eternidade, senão bem menos que um dia? 


Mas aquele que não crê na eternidade, que pensa tudo acabar com a vida, que se deixa abater pelo desgosto e o infortúnio, só vê na morte o fim dos seus pesares. 


Nada esperando, acha muito natural, muito lógico mesmo, abreviar as suas misérias pelo suicídio. 

16. A incredulidade, a simples dúvida quanto ao futuro, as idéias materialistas, em uma palavra, são os maiores incentivadores do suicídio: elas produzem a frouxidão moral. 

Quando vemos, pois, homens de ciência, que se apoiam na autoridade do seu saber, esforçarem-se para provar aos seus ouvintes ou aos seus leitores, que eles nada têm a esperar depois da morte, não o vemos tentando convencê-los de que, se são infelizes, o melhor que podem fazer é matar-se? 


Que poderiam dizer para afastá-los dessa idéia? 


Que compensação poderão oferecer-lhes? 


Que esperanças poderão propor-lhes? 


Nada além do nada! De onde é forçoso concluir que, se o nada é o único remédio heróico, a única perspectiva possível, mais vale atirar-se logo a ele, do que deixar para mais tarde, aumentando assim o sofrimento. 


A propagação das idéias materialistas é, portanto, o veneno que inocula em muitos a idéia do suicídio, e os que se fazem seus apóstolos assumem uma terrível responsabilidade. 


Com o Espiritismo, a dúvida não sendo mais permitida, modifica-se a visão da vida. 


O crente sabe que a vida se prolonga indefinidamente para além do túmulo, mas em condições inteiramente novas. 


Daí a paciência e a resignação, que muito naturalmente afastam a idéia do suicídio. 


Daí, numa palavra, a coragem moral. 

17. O Espiritismo tem ainda, a esse respeito, outro resultado igualmente positivo, e talvez mais decisivo.

Ele nos mostra os próprios suicidas revelando a sua situação infeliz, e prova que ninguém pode violar impunemente a lei de Deus, que proíbe ao homem abreviar a sua vida. 


Entre os suicidas, o sofrimento temporário, em lugar do eterno, nem por isso é menos terrível, e sua natureza dá o que pensar a quem quer que seja tentado a deixar este mundo antes da ordem de Deus. 


O espírita tem, portanto, para opor à idéia do suicídio, muitas razões: a certeza de uma vida futura, na qual ele sabe que será tanto mais feliz quanto mais infeliz e mais resignado tiver sido na Terra; a certeza de que, abreviando sua vida, chega a um resultado inteiramente contrário ao que esperava; que foge de um mal para cair noutro ainda pior, mais demorado e mais terrível; que se engana ao pensar que, ao se matar, irá mais depressa para o céu; que o suicídio é um obstáculo à reunião, no outro mundo, com as pessoas de sua afeição, que lá espera encontrar. 


De tudo isso resulta que o suicídio, só lhe oferecendo decepções, é contrário aos seus próprios interesses. 


Por isso o número de suicídios que o Espiritismo impede é considerável, e podemos concluir que, quando todos forem espíritas, não haverá mais suicídios conscientes. 


Comparando, pois, os resultados das doutrinas materialista e espírita, sob o ponto de vista do suicídio, vemos que a lógica de uma conduz a ele, enquanto a lógica de outra o evita, o que é confirmado pela experiência.




Livro: O Evangelho Segundo o Espiritismo / Allan Kardec
CAPÍTULO V – BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS 
Tradução: José Herculano Pires

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Agindo Com Bom Senso


Como você costuma buscar a solução para os problemas que surgem na sua vida?
Talvez esta pergunta pareça tola, mas o assunto é de extrema importância quando desejamos corrigir o passo e evitar novos tropeços.
O que geralmente acontece, quando desejamos resolver algum problema, é fazer exatamente o caminho mais difícil.
No entanto, como o sucesso da ação depende do meio utilizado ou da estratégia criada para a solução, vale a pena pensar um pouco sobre nossa forma de agir.
Por vezes, nos movimentamos freneticamente para um lado e para o outro, e esquecemos de que movimentos desordenados não nos levarão a lugar nenhum.
Movimentar-se nem sempre significa agir com discernimento.
Comumente confundimos a urgência com a pressa, e atropelamos as coisas.
A situação pode exigir atitudes urgentes, o que não significa apressadas.
Quando agimos apressadamente, sem fazer uso da razão, é mais fácil o equívoco. Quando agimos sob o domínio da emoção, o resultado é quase sempre desastroso.
A emoção não é boa conselheira, quando se trata de resolver questões urgentes.
Um exemplo pode tornar mais fácil a nossa compreensão.
Se uma cobra venenosa nos morde e inocula seu veneno em nosso corpo, o que fazer?
Uns saem correndo atrás da víbora para matá-la, e acabar de vez com o problema, numa atitude insana de vingança.
Seria essa a decisão acertada?
A movimentação só faria o veneno se espalhar rapidamente pela corrente sanguínea, piorando as coisas.
No entanto, a ação mais eficaz seria buscar ajuda o mais breve possível, para evitar danos maiores.
Mas nem sempre a ira nos permite agir sensatamente.
Se uma pessoa nos ofende ou nos contraria frontalmente, geralmente revidamos ou mantemos o efeito do veneno durante dias, meses ou anos...
Ressentimento quer dizer sentir e voltar a sentir muitas vezes.
Quando isso acontece, a mágoa vai se tornando cada vez mais viva e mais intensa.
A ação mais acertada, neste caso, não seria tratar de eliminar o veneno de nossa intimidade?
Para tomar decisões lúcidas, é preciso fazer uso da razão, e não se deixar levar pela emoção.
Quando a emoção governa nossas ações, geralmente o arrependimento surge logo em seguida.
Assim sendo, é importante pensar bem antes de agir para evitar que, em vez de solucionar os problemas, os compliquemos ainda mais.
Se, num momento crítico, a emoção nos tomar de assalto, é melhor sair de cena por alguns instantes, ou deixar que os ânimos se acalmem, antes de qualquer atitude.
Quando agimos com calma, fazendo uso da razão, é mais fácil encontrar soluções definitivas, em vez de piorar as coisas.




* * *

Lembre-se de que, em vez de correr atrás da cobra que nos mordeu, é mais racional buscar a solução do problema.
Quando você estiver às voltas com um problema qualquer, lembre-se de que a solução ou a complicação dependerá da sua ação.
Por isso, busque tomar a decisão mais favorável à resolução.
Lembre-se, ainda, de que a pressa nem sempre é boa conselheira e procure agir com sabedoria, que é sinal de bom senso.



Redação do Momento Espírita
Em 19.01.2009.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Livro de Junho

E Junho chegou!! A metade do ano!! O tempo tem passado rápido! E nós devemos aproveitá-lo bem!
E para começar bem o mês trazemos aos amigos e associados de nosso Clube do Livro, o Livro do mês:

Transtornos Mentais, da Suely Caldas Shubert




Sinopse:

Problema crescente, os transtornos mentais atingem inumerável parcela da humanidade. Depressão, TOC, agorafobia, estresse, psicose, autismo, obsessão e outros tantos tormentos afligem o ser humano. Apresenta a visão espírita dessa problemática, abordando seus diversos matizes: psiquiátricos, psicológicos e obsessivos, levando a uma compreensão profunda acerca das causas de enfermidades mentais, permitindo a sua resolução. Em um abrangente estudo, estabelece as necessárias pontes de ligação entre o conhecimento espírita e a produção de renomados cientistas, psiquiatras, psicanalistas e psicólogos. Terapêutica que alcança a matriz dos desequilíbrios, onde também reside todo o poder da cura definitiva: o Espírito. Obra publicada anteriormente pela Minas Editora. Agora com edição revisada e ampliada, enriquecida com centenas de notas explicativas e extenso índice geral, moderno projeto gráfico e miolo em duas cores.